A Justiça Estadual determinou o bloqueio de bens do empresário Júlio Uemura para garantir o pagamento a uma vítima de Santa Catarina que teria sido lesada em cerca de R$ 300 mil. Luiz Carlos Tamanini é o primeiro empresário a conseguir o direito na Justiça.
De acordo com a decisão do juiz da Vara Especializada de Combate ao Crime Organizado, José Arimatéria, uma das propriedades rurais de Uemura está localizada em Tangará da Serra. Conforme a denúncia do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), Júlio Uemura comandava um esquema que aplicava golpes financeiros em produtores rurais. O advogado de Júlio Uemura, Ricardo Monteiro, disse que não foi notificado da decisão.
Crime
Na Operação Gafanhoto, realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) em março do ano passado, seis pessoas, entre elas o empresário Júlio Uemura, foram presas por suspeita de envolvimento com uma quadrilha que aplicava golpes no mercado de hortifrutigranjeiros. Ao menos 23 pessoas foram investigadas na operação.
O promotor Joelson de Campos Maciel, do Gaeco e coordenador da operação, disse na época que o grupo abria empresas fantasmas em outros estados e depois de obter a confiança de fornecedores, comprava grande quantidade de frutas e verduras mas não efetuava o pagamento. Primeiro, a quadrilha abria empresas de fachada e comprava frutas, verduras e hortaliças para revender em Mato Grosso. As primeiras cargas eram pagas à vista, mas depois de conquistar a confiança do fornecedor, o pagamento era feito com cheques pré-datados sem fundos.
O golpe foi aplicado em pelo menos cinco estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo. Ainda de acordo com o promotor, cada vítima teve prejuízo mínimo de R$ 100 mil. As investigações apontam que além de calote no pagamento de encomendas, a quadrilha também extorquia produtores rurais e fornecedores.
Os presos na operção foram acusados de formação de quadrilha, estelionato, corrupção, extorsão e ameaça. Se forem condenados podem pegar até 30 anos de prisão.